Aumenta o tempo médio para troca de celular pelos brasileiros

Atualmente, o consumidor está esperando dois anos ou mais para fazer a troca do seu smartphone

Trocar de celular está se tornando um hábito cada vez mais incomum para os brasileiros. Isso não é por falta de esforço das fabricantes: elas continuam lançando novos modelos anualmente, com melhor capacidade de armazenamento, processamento, novas tecnologias de segurança e câmeras com definição cada vez mais impressionantes.

Entretanto, o público não está acompanhando a velocidade de lançamento, trocando de modelo assim que um novo é lançado. Muitos usuários esperam a oportunidade de comprar celular na Blacķ Friday, momento perfeito para encontrar smartphones de todos os tipos por preços mais acessíveis. Porém, muitos brasileiros estão optando em adiar essa troca, permanecendo com o modelo antigo.

Essa foi uma mudança que ocorreu perceptivelmente nos últimos anos. Antes da pandemia de covid-19, em 2020, a média de “vida útil” do smartphone na mão do brasileiro era de um ano. Contudo, essa diferença hoje dobrou, sendo de 24 meses ou até mesmo mais tempo do que isso.

Mudança no tipo de consumo

Também houve uma mudança em relação ao tipo de substituição que foi feita pelos consumidores. Agora, quando o usuário decide trocar de celular, boa parte prefere adquirir um modelo similar em vez de um smartphone mais moderno e atual. Inclusive, muitos também preferem um aparelho usado quando adquirem uma linha mais sofisticada, como Galaxy S, da Samsung, e iPhone, da Apple.

Esses são os resultados que foram obtidos pela pesquisa feita pela consultoria GfK. O levantamento apontou que, em 2022, 30 milhões de smartphones foram comercializados no varejo. Desses, 22 milhões — mais de 70% — foram mudanças para modelos similares, enquanto apenas 8 milhões foram para mudar para uma versão mais avançada. A pesquisa foi feita com 7.784 entrevistados em todo o país.

Outros dados importantes da pesquisa é que 2,5 milhões de smartphones (quase 10%) foram vendas de um segundo aparelho para o consumidor. Por outro lado, 4 milhões de unidades foram vendidas para brasileiros que precisavam repor um celular roubado ou perdido. Apenas 1,7 milhão de vendas representaram o primeiro smartphone de alguém.

O que motivou essa mudança de comportamento? A restrição de crédito no varejo, causado pela alta taxa de inadimplência e as altas taxas de juros, é um dos motivos para adiar a troca. Mas os resultados também são explicados pelo fato do mercado nacional de smartphones ser bem maduro. Assim, quase toda a população já conta com um celular e boa parte só opta por comprar quando o aparelho atual quebra ou é roubado. Isso explica porque as trocas estão mais espaçadas.

Troca de celular é feita após mais de dois anos

Outra pesquisa, também feita pela GfK com 9 mil consumidores, revelou que o tempo médio de substituição de celulares no país é de dois anos e mais de dois anos atualmente. O levantamento mostra que 44% dos brasileiros trocam de aparelho depois de mais de dois anos — uma parcela que era de 32,3% em 2019. Paralelamente, houve uma queda no número de pessoas que trocam em até um ano: de 19,8% em 2019 para 13,3% em 2023.

Essa mudança de comportamento colaborou para um encolhimento do mercado nacional de celulares neste ano. As vendas do primeiro semestre de 2023, que incluíam modelos 3G, 4G e 5G, somaram 14 milhões de modelos vendidos. Um valor 12,5% menor do que a primeira metade de 2022. Contudo, isso não é um cenário exclusivamente do Brasil: a tendência mundial também é de queda de vendas, com a consultoria Counterpoint Research apontando uma expectativa de queda de 6% das vendas em relação ao último ano.

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